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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

As chamas não se apagam! Sérgio Lima - Instrutor - Ator - Artista. Ponto de Cultura Arte & Fato - Turma de Teatro

Turma de Teatro - Ponto de Cultura - Casa de Cultura Arte & Fato.

A Casa de Cultura Arte & Fato, deu inicio a sua grade pedagógica de 2011 - nos primeiros meses têm três turmas, sendo elas: Teatro Iniciação, Balé Clássico e Música. E como não poderia deixar de ser, o apoio logístico do MINC - Ministério da Cultura e SEC - Secretaria de Cultura do Amazonas é fundamental para fortalecer a iniciativa, que começou em 2010. No ano passado foi ofertado cursos de Flauta Doce, Voz, Balé Intermediário e Iniciação. Todo o programa de oficinas gratuitas fazem parte do convênio firmado entre a AACA -Arte & Fato e o programa MAIS CULTURA, parte do programa ponto de cultura.


Mas o tema aqui é outro! A turma de iniciação teatral ministrado pelo ator Sérgio Lima.


Sérgio é uma especie de artista voltado exclusivamente para as ARTES,e isso só poderia render bons frutos, várias vezes recebeu prêmios de melhor ator, aqui ou ali, está em grandes espetáculos. Nos anos 90 fez parte do movimento de teatral, dirigido, produzido e fomentado pelo grande Chico Cardoso. Depois passou pelo Mithos, e atualmente faz parte do Arte & Fato. Foi presidente da FETAM - Federação de Teatro do Amazonas e atualmente é professor do Ponto de Cultura Arte & Fato. Apesar dos cursos estarem sendo realizados na Rua 10 de Julho 443 - Centro, a maioria dos alunos são oriundos de várias partes de Manaus, e principalmente dos bairros periféricos ao centro urbano.


Iniciação Teatral




Turma de Teatro - Professor Instrutor Sérgio Lima


O processo de construção é dificil. Gerir cultura é tarefa dificil, principalmente por ser uma atividade CONTRA-MERCADO, não é palpavél como material, utensilio ou cerâmica de alguma tribo extinta da Amazônia ou da África, produzir cultura, é investir no ideal, onde poucos conseguem realizar na prática, a teoria muitas das vezes é mais fácil, conceituar, escrever ou coisa de gênero. SIM! somos artistas vivos, vivos pela seguridade do edital, seguros dos nossos objetivos de gerir a tal cultura.



Qual é o preço da Arte? O que diferencia a obra de arte de um Caça Níquel? Qual o valor da Palma de Banana e o Valor de um ator... A Arte poucamente se vende, quando um cidadão sente fome, com certeza escolhe comprar a palma de banana, em vez de escolher uma obra de Bertold Brecht, sobre reflexos da guerra. Por isso é importante destacar a trajetória de certos artistas voltandos exclusivamente para o fazer teatral. Ednelza Sahdo, Narda Telles, Selma Bustamante e por que não citar Sérgio Lima, esses devem ser respeitados! Atualmente o curso sob sua orientação artística conta com mais de 40 alunos. As aulas acontecem nos dias: Seg. Quarta e Sexta de 14:00 às 17:00 na Casa de Cultura Arte & Fato - Ponto de Cultura.

As oficinas são realizadas no Laboratório de Investigação Cênica Francisco Carlos, nome homenagem ao Dramaturgo Amazonense indicado ao prêmio SHELL 2010.






domingo, 13 de fevereiro de 2011

Os Pais, Mestres e Alunos da CASA DE CULTURA ARTE & FATO - PONTO DE CULTURA.

Juliana Borges - Coreografa e Coordenadora de Dança.
Em Fevereiro, deu inicio as atividades do PONTO DE CULTURA - ARTE & FATO - 2011, seria como outro curso qualquer, entre tantos que acontecem pela cidade. MAS... Em Janeiro de 2011, após publicação no Jornal DIÁRIO DO AMAZONAS - (jornalista Lídia Ferreira) -  anuciando a grade pedagógica da CASA ARTE & FATO, fomos surpreendido com a enorme demanda e procura as nossas atividades.

O jornal destacava a quantidade de Vagas: 20 TEATRO - 25 DANÇA e 25 MÚSICA - (Percussão Afro Descendente com Mestre Cristiano). O retorno da população foi imediata, superando as expectativas. Somente na Dança atingimos 220 escritos, da qual  resolvemos desmembrar as turmas e horários para atender a demanda. No Teatro, tivemos 70 alunos escritos, dentre moradores do centro, alunos do CCCS - Centro Cultural Claudio Santoro e principalmente pessoas de baixa renda, onde deslumbraram a possibilidade de ingressar no mercado artistico, principalmente por se tratar de cursos oferecidos pelo EDITAL PONTOS DE CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS - MINC - MINISTÉRIO DA CULTURA e SEC - SECRETARIA DO CULTURA DO AMAZONAS. Estamos em fase de consolidação total das nossas atividades.

No dia 07 de Fevereiro realizou-se uma reunião com pais, objetivando a interlocução entre a familia e as atividades a serem desenvolvidas em 2011. Dentre a discussão se percebeu a necessidade de efetivarmos cursos no SÁBADO, para melhor aproveitamento das técnicas de Balé desenvolvidas pela instrutora Juliana Borges, (formada pela UEA - Professora do CCCS - Centro Cultural Claúdio Santoro e Coreografa da Companhia Encontro das Águas).

Aula de Balé - PONTO DE CULTURA ARTE & FATO

Segundo alguns pais, a sugestão justifica-se principalmente de jovens participarem de Escolas de Tempo Integral, impossibilitando a participação nas atividades, a partir disso, fica determinado: Juliana Borges ministrará aulas nos sábados, sendo uma turma de MODERNO e outra de BALÉ CLÁSSICO.

Acreditamos que o dialogo com a familia é o caminho para melhor agirmos nas necessidades reais dos participantes das ações do ponto de cultura - programa MAIS CULTURA - Governo Federal.


Francisco Carlos - Dramaturgo Amazonese e Mestre do Artista Douglas Rodrigues
Em breve postaremos - IMAGENS SOBRE MEMORIAL FRANCISCO CARLOS - Laboratório de Investigação Cênica, recém inaugurado por essa associação.


Douglas Rodrigues
Gestor da CASA DE CULTURA - ARTE & FATO´- Ponto de Cultura.
AACA - Associação dos Artistas do Amazonas - Arte & Fato.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rede dos Pontos de Cultura do Amazonas - Casa de Cultura Arte & Fato

 Reunião Extraordinária



COMISSÃO NACIONAL DOS PONTOS DE CULTURA/REPRESENTAÇÃO DO AMAZONAS 
            CONVITE AOS PONTOS DE CULTURA DO AMAZONAS


Aulas de Balé - PONTO DE CULTURA ARTE & FATO - Coordenação de Dança e Instrutora Juliana Borges



Desde 2006 os Pontos de Cultura existentes nos diversos Estados/municípios brasileiros vem se articulando a nível nacional, por meio da Teia e Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, desdobrando-se com a criação da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura. A partir de então, esse movimento nacional tem se articulado para o fortalecimento da rede nacional, na luta pela  ampliação dos pontos de cultura em âmbito estadual, e no caso do Estado do Amazonas, desde 2008 o processo de construção vem se desenhando, com a perspectiva de efetivação de  40 pontos de cultura a serem conveniados no Estado. No momento, já são 21 pontos selecionados no Amazonas, restando ainda a possibilidade de novo edital para seleção de mais 19 Pontos de Cultura.
Diante de uma nova gestão no Ministério da Cultura, e a decisão de consolidar em uma só pasta a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC) e a Secretaria de Identidade e Diversidade (SID), transformando em Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, sem um debate na rede, é colocado em cheque a continuidade ou não do Programa Cultura Viva/Mais Cultura. Com isso comprometendo os acordos assumidos pela gestão anterior  com os Estados para a viabilização das ações, bem como, os atrasos e/ou não liberação dos recursos de convênios e ainda o não pagamentos dos prêmios ainda pendentes do ano anterior.
Nesse sentido é preciso urgente iniciar um diálogo aberto para refletirmos sobre o processo em curso e contribuir com o debate para o fortalecimento da rede e incidir politicamente para garantir a continuidade do Programa, além da importância do acompanhamento dos projetos de leis em andamento no Congresso Nacional, o vale cultura e ainda, a respeito das deliberações da II Conferencia Nacional de Cultura.
Portanto, companheiros (as), que em seu cotidiano tocaram as Ações de Cultura e Cidadania  e do Programa Cultura Viva. Aos que contribuíram para a implementação qualificação da política pública de cultura, aos sabedores e fazedores das manifestações e expressões culturais, aos que participaram de editais, aos que foram selecionados nos Editais de Pontos de Cultura no Estado, aos que apresentaram projetos e aos que pretendem ainda apresentar, venham contribuir com o debate, dando opinião e assim possamos construir juntos, um Plano de Ação estratégico para fortalecimento de nosso movimento.

Elson Batista, Lucimar Weil e Douglas Rodrigues


Data: 10 (Quinta-Feira) de fevereiro de 2011
Horário: de 14:30 às 16h:30
Local: Espaço Cultural Arte & Fato, localizado a Rua 10 de julho 443 CENTRO, ao lado do Teatro Amazonas, telefone, 3234-4252. (antigo Jet-set).

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Essa Tal de Natureza, da obra de Leyla Leong.


Leyla Leong -  Escreve:
Querido Douglas,
Novamente meus parabéns pelo teu trabalho.
A-do-rei!!!
Muita gente ensaiou uma crítica me perguntando (maldosamente): "e o teu texto, onde ficou?" ao que tenho respondido: "o que interessa é a idéia, a mensagem. Não as palavras".
Posso te assegurar que se alguém montar esse meu texto "bonitinho", "certinho" igual ao livro, acho que não vou gostar.
Gosto do teu trabalho e o que mais admiro em ti é o teu atrevimento, a tua coragem de ousar, sejam lá quais forem as consequências. Não muda. Continua assim, please!

Quero ver novamente a peça mas não lembro os dias que será apresentada no La Salle. Podes me informar? O Tenóriio Telles também está querendo assistir.

Livro de Leyla leong... à venda na livraria Valer. Indico às crianças e a Juventude.
A criação de Figurinos, Cenários... Onde tudo surgiu...


Essa Tal de Natureza é um teatro que presta homenagem a infância, substituindo a repugnância comum nas encenações de engajamento social a uma interpretação sensível, poética, simbólica e mágica, com personagens que influenciará na aproximação do público. A intenção é criar um fio condutor de comunicação, lixos e sucatas fortalecerão a viagem lúdica da Direção, estimulando o público a perceber a necessidade de reciclar nos primeiros minutos do espetáculo. Os adereços serão feitos de papel, jornal, latas, dinheiro e papelão, ou seja, materiais que as crianças conhecem e já mantém alguma identificação, garantindo retorno imediato de comunicação. Dessa forma, o projeto pretende promover debates reflexivos pelos temas abordados a cada fim de apresentação, intermediado por um professor ou pedagogo das escolas contempladas pela temporada. Embora se justifique como um projeto de montagem, ele abrange e ultrapassa fronteiras não servindo apenas de diversão e entretenimento, mas de utilidade educacional e artística.




O projeto é alicerçado com cênica contemporânea reunindo várias vertentes artísticas a dá lugar a única forma: A Comunicação, numa perfeita combinação de estilos e disciplinas. Será a oportunidade de acesso não-maniqueísta ao livro de Leyla Leong, através das vivências das personagens, envolvido num enredo direto, crescente e empolgante.



Bodas de Sangue, de Federico Garcia Lorca.


Prêmio PROARTE - 2009 SEC - Secretaria de Cultura do Amazonas.

Participação no 6º FTA - Festival de Teatro da Amazônia, recebendo os prêmios;

Melhor Cenografia
Melhor Música
Melhor Direção
Melhor Atriz Coadjuvante - Ednelza Sahdo
Melhor Atriz - Vanessa Pimentel
e Melhor Espetáculo da 6º edição do FTA.


MEMÓRIAS DO SANGUE


Monik Pétala - Atriz - Personagem LUA.

É preciso sempre voltar a Lorca. Nos tempos de solidão desenfreada, numa multidão cada vez mais sem objetivos dignificantes, urge um retorno ao amor primordial entre os seres, o regresso de uma poesia pulsante ao nosso Teatro. Eis a urgência da dramaturgia de Federico García Lorca aos palcos de todo o mundo. Sua mensagem transpassa tempos e situações, pois é feita do amálgama dos eternos conflitos que habitam os corações vorazes, da inquietude dos artistas, daquela ânsia de derrotar o touro incontrolável que habita a cada um de nós. “Sobre teu corpo, que há dez anos se vem transfundindo em cravos de rubra cor espanhola, aqui estou para depositar vergonha e lágrimas”. A verve poética do dramaturgo que fez da Espanha sua cruzada medieval, levando a cruz da arte da liberdade e a espada na bainha da calça, e que nunca usou, pois Lorca era feito de uma substancia platônica que já não existe mais neste planeta: a paixão pelo outro, revigorando sua arte pela circunstancia emergencial de doar-se feito um mártir que busca um horizonte onde o amor triunfaria. Este amor  porém vem acompanhado de uma certa melancolia profética, onde o dramaturgo, tal qual as ciganas que prenunciam o futuro, antevia sua morte numa Espanha calejada pelo sangue dos justos. Lorca era um deles. “Vergonha de há tanto tempo viveres, se morte é vida, sob o chão onde esporas tinem a calcam a mais fina grama e o pensamento mais fino de amor, de justiça e paz”. Bodas de Sangue, na visão do jovem e talentoso artista Douglas Rodrigues, é mais um mosaico de emoções fortes e de imagens simbólicas que esfaqueiam a todos os seres sensíveis, e aqui a sensibilidade é natural como um corpo que voa sobre nossa mente, como se martelasse numa arena de touros: “agora chegou a tua hora”. Hora crucial onde a Arte&Fato descortina uma muralha de personagens já cristalizadas no imaginário do homem-palco, ou seja, o que transpira Teatro por todos os poros. Há de notar-se que estamos sem novidade nesta trajetória de Douglas Rodrigues, pois o rigor e a pulsação vibrante de suas idéias cênicas são uma “trademark” indelével de seu Teatro, um Teatro de risco, sem concessões. O encontro de uma forte dramaturgia com uma jovialidade inesgotável faz a alquimia perfeita dos que almejam a pedra encantada, num Teatro que não se permite existir sem desafiar os incautos. Para ser uma Boda de Sangue legítima a transfusão deve ser de risco, o jorro deste líquido carmesim deve despejar todas as máscaras que eclipsam o homem e seus terríveis fantasmas: o ódio e o preconceito.



Lorca estava atento ao poder da arte na transformação da sociedade, e acredito que uma companhia de Teatro, ao optar por esta montagem, traz uma parcela de revolução já latente em cada ensaio, em cada botão de figurino, em cada foco de luz que adentra no palco de Bodas de Sangue. “Lágrimas de noturno orvalho, não de mágoa desiludida, lágrimas que tão-só destilam desejo de ânsia e certeza de que o dia amanhecerá. (Amanhecerá). As veias de cada integrante deste elenco faz circular um sangue feito de clamores pelo que de melhor existe na arte: a ultrapassagem do ser para outro ser, o espetáculo que permanece na memória de um espectador ávido por uma verdade de cena, onde a obra está acima de débeis egoísmos, e onde o brilho caberá ao poeta granadino, autor da Trilogia do Sangue, onde também habitam no mesmo universo trágico de Bodas de Sangue as peças Yerma e A Casa de Bernarda Alba. A Espanha que conhecemos hoje deve muito a Lorca, este espírito espanhol, senão criação de Lorca, é fruto de seu sucesso mundial como pensador, poeta, revolucionário da estética teatral, acima de tudo, de um homem de Teatro além das convenções canhestras de seu tempo, onde a ditadura de Franco acabou por triunfar. O triunfo de Franco representou a morte do homem Lorca, mas no outro viés, a ressurreição de sua estética poética para o infinito do sempre,  o “encontro do céu com o mar”, como disse Arthur Rimbaud, outro grande poeta e visionário. “Esse claro dia espanhol, composto na treva de hoje, sobre teu túmulo há de abrir-se, mostrando gloriosamente, ao canto multiplicado de guitarra, gitano e galo, que para sempre viverão os poetas martirizados”. Uma arte feita de uma coragem extrema se descortina agora para nós. O fato inconteste é que ao passarem estes personagens sobre suas retinas, um espelho mágico, onde o passado e o futuro coabitam, o conduzirão  para uma estrada de sensações memoráveis, onde o Teatro torna-se um vetor da tua transcendência. Com Bodas de Sangue tua transfusão estará concluída. Resta saber que destino teu corpo e mente darão a este sangue produzido há mais de sessenta anos atrás. O artefato teatral de Lorca que a Arte&Fato revigora com sua montagem.



Post escriptum- Foram inseridos no corpo deste texto, em forma de homenagem, o poema “A Federico García Lorca”, de outro poeta igualmente genial, Carlos Drummond de Andrade.

Manaus, 9 de agosto de 2009.

Jorge Bandeira




Yebá Burôh - A Índia Velha do Universo. Dramaturgia - Douglas Rodrigues

Ponto de Partida... Yebá é mito, antropologia e relato dos "homens Vermelhos". Será traduzido para espanhol, por companhia Paulista e Roteiro de Cinema.


Prêmio Myriam Muniz de Montagem - 2008
Prêmio Myriam Muniz de Circulação Nacional - FUNARTE - Fundação Nacional de Artes - 2010

Indicado a todas as categorias do 5º FTA - Festival de Teatro da Amazônia, recebendo os prêmios:

Melhor Figurino, Direção e Música - Mikelane de Almeida.


Manifesto da Mãe Terra
Os conquistadores tentaram nos domesticar, como fazemos com as araras e os
papagaios. Tentaram matar nossa alma, fazer esquecer o que somos, mas ainda
não nos venceram. E jamais nos vencerão. Porque somos os "Filhos do Sol",
Somos da terra e do céu. “E mesmo que o universo inteiro seja destruído,
NÓS VIVEREMOS SEMPRE!“.

 
Florêncio Almeida Vaz
Março de 2000 - Santarém - Amazônia – Brasil


Rivaldo Monteiro - Ator
 
...Relatos de homens apaixonados pela terra, unindo nos seus escritos poesias, utopias e premonição da vida futura. Há quase 200 anos atrás, o índio Americano Seattle responde ao chefe de Estado sobre a oferta de comprar terras pertencentes a sua tribo, em resposta, o índio nos presenteia uma bela obra da antropologia datada em 1854. 
O que isso tem a ver com nossa atualidade? Nosso momento? Teatro no Amazonas? Teatro quanto conceito estético e político?
Nada, se olharmos pela nossa efêmera necessidade. Mas a arte rompe barreiras e serve para além do entretenimento. Bertold Brecht é visitado para compor a obra, oportunizando para além do divertimento, um encontro reflexivo do HOMEM com a TERRA.
Olharmos com olhos étnicos é uma tarefa não comum. Quando catequizados, impuseram as leis cristãs. Poderiam eles ter ensinado o branco a viver melhor e ensinaram, mas “nunca tivemos tempo de parar e ouvir”. 
Busco com a obra um deleite de emoção e reflexão, rompendo o empirismo estético, quero chegar a brindar com os Deuses da terra meu dever quanto artista. Não será um espetáculo apaixonado e vazio. Por isso, visito as linguagens teatrais, as artes plásticas, o cinema, a dança-teatro, e a música para celebrar com teatro os Deuses que teceram os fios da Amazônia.
È uma espécie de Marx caboclo, de música inventada do avesso, cantigas de roda tribal, linguagem de vanguarda, dialética com cheiro de folhas secas. Nada folclórico.
 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desejo Morte e Ressurreicao na Natureza. O Irreal se Torna Real.

Cena do Espetáculo dentro da programação do 7º FTA - Festival de Teatro da Amazônia.

Essa Tal de Natureza, encenada por Douglas Rodrigues para a companhia Arte & Fato, foi baseada no livro de mesmo título, da jornalista Leyla Leong e concorre, na categoria infantil, no 7º. Festival de Teatro da Amazônia. O enredo do drama, numa só linha, narra a trajetória de um pássaro da Amazônia que resolve descobrir o que tem além da floresta e encontra um reino de pedra e metal, onde se fere mortalmente e ressurge para reconhecer a natureza como a própria vida. O livro está em sua 3ª. Edição e, em dias de devastação, propõe que as crianças de hoje sejam, num futuro próximo, seres melhores, que respeitem a vida, conscientes da importância da preservação da Natureza. A encenação segue com fidelidade a proposta da autora em diálogos elaborados com maturidade, na adaptação dramática de Douglas Rodrigues.
Premiadíssimo nas edições anteriores do Festival de Teatro da Amazônia, entre outros prêmios importantes conquistados a nível nacional, a Companhia Arte & Fato, tem uma linguagem muito própria, baseada na limpeza de elementos cênicos, na simplicidade com que cria e executa a estética de seus espetáculos. É um teatro que encanta e estimula o espectador na reflexão do mundo que nos cerca. Dentro dessas características particulares, que a cada montagem vai radicalizando mais, ressalta-se a música ao vivo, que aparece grandiosamente em seus espetáculos e sublinham as emoções desenhadas nas ações das personagens, o que ajuda a mexer com os sentidos da platéia. Uma Companhia estável e respeitada pelo seu trabalho, portanto.
Essa tal de Natureza, o espetáculo, tem momentos simbólicos de grande beleza plástica, como a ritualização da travessia do reino da Natureza até o reino de pedra e metal da personagem Senhora do Limiar, interpretado por Elines Medeiros, que borrifa um perfume peculiar da floresta na platéia, simbolizando a essência da vida e da Natureza. Outro momento onde a poesia é companheira do encenador mostra o jovem Pássaro, em coreografia que utiliza diversos planos, aprendendo a voar com o Pássaro Transitório, interpretado por Weldson Rodrigues, e parte num vôo para o reino de pedra e metal onde encontra sua própria morte. Com essas cenas fantásticas, a trama nos remete aos clássicos da arte, como Dersu Uzala, filme de Akira Kurosawa, onde um explorador salvo por um velho caçador, decide levá-lo para a cidade, confrontando seus costumes de forma esmagadora com o modo de vida burocrático na cidade, fazendo-o questionar diversos padrões da sociedade. No desfecho dessa trama, o Rei resolve aprisionar a Natureza e acaba perecendo junto com ela, quando uma bomba explode e devasta a vida. Mas a esperança ressurge no Jovem Pássaro que volta à vida, completando o ciclo dramático sustentado pelo tripé desejo, morte e ressurreição.
Mesmo diante de tantos acertos, alguns ingredientes teatrais no espetáculo ainda estão em formatação, principalmente no que diz respeito à interpretação. Existe uma overdose na construção dramática das personagens, que pode ser reparada até o ponto onde não seja incomodo para o espectador. O exagero não remete à emoção, ao contrário, provoca o distanciamento crítico na platéia e a encenação pode perder o jogo dramático essencial do teatro. Douglas é um encenador talentoso, criativo, pode corrigir e nivelar a interpretação do elenco, a fim de que a lanterna de todos, acenda durante a próxima sessão d´Essa Tal de Natureza.

Chico Cardoso
Diretor Teatral