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domingo, 5 de outubro de 2014

A ESTRADA ESTRÉIA NO TEATRO AMAZONAS

Em 2014 a AACA – ARTE & FATO completa 15 anos de atividades ininterruptas e para comemorar as atividades, reuniu: pesquisadores, artistas e músicos para produzir a obra: A ESTRADA de autoria do seu encenador Douglas Rodrigues, utilizando um dos episódios mais marcantes da história AMAZÔNICA – A CONSTRUÇÃO DAS BRs – ESTRADA e o GENOCÍDIO dos índios WAIMIRI ATROARI, vitimados pelo exercito brasileiro – MILITARES entre as décadas de 70 e 80, período da construção da BR 174 que liga MANAUS À BOA VISTA.
A obra tem grande reflexão histórica, geográfica, estética e artística podendo ser ponto de reflexões na 11ª edição do Festival de Teatro da Amazônia, por tratar-se de um teatro cujo enredo envolve acontecimentos reais de colonização da Amazônia em “Tempos modernos” e por encarar os acontecimentos como TRAGÉDIA numa perspectiva dialética sobre a BANALIZAÇÃO DO MAL, justificando por si, como obra de arte.
CONVITE A BARBÁRIE
Pais, mães e filhos mortos, aldeias destruídas pelo fogo e por bombas. Gente resistindo e famílias correndo pelos varadouros à procura de refúgio em aldeia amiga. A floresta rasgada e os rios ocupados por gente agressiva e inimiga. Esta foi à geografia política e social vivenciada pelo povo Kiña desde o inicio da construção da BR-174 em 1967 até sua inauguração em 1977.
A DRAMATURGIA
É um espetáculo crítico, sensível e poético, mesmo se tratando de uma dramaturgia que narra fatos históricos, distancia-se da “repugnação” comuns no gênero épico. O recorte histórico se dá entre as décadas de 70/80, o encenador utilizou os fatos “Criação da TRANSAMAZÔNICA e BR 174” para compor a TRAMA e a CENAS distancia-se ao máximo das DATAS e sua importância de verossimilhança para não deixar o espetáculo com linguagem REALISTA, destruindo as simbologias, signos e as iconografias. Os personagens (alguns ainda vivos) devem ser fonte de pesquisa, não de teatralização. A ditadura militar deve ser suprimida por um elemento, numa CENA SIMBOLO, porém, a barbárie deve ser estabelecida através da ESTRADA e da LOUCURA, é a obra: “Flores do Mal” dialogando com o “Paraíso”, a máquina como progresso num trecho impenetrável da Amazônia.
A obra reacende reflexões sobre a colonização da região amazônica num recorte histórico, transfigurando o século XVI e as viagens sanguinárias da Espanha para a década de 70, período da construção das ESTRADAS. Temas como: O progresso, a barbárie, batalhas entre índios e invasores, violência, alteridade, choques culturais, abusos sexuais e identidade étnica serão abordados.
As fantasmagorias dos personagens históricos aparecem, tais quais: O cronista Frei de Carvajal “Relacion del nuevo descobrimento del famoso rio grande das amazonas”, e o Bárbaro Aguirre e sua expedição maldita, dialogando a todo momento com personagens representantes do progresso, estimulando novas alteridades, colonizações e batalhas.
Os diálogos estão divididos em dois blocos linguísticos:
CULTURA DE PROGRESSO: Os diálogos foram extraídos da CARTA/RELATO de Frei de Carvajal, Cronista da viagem de Francisco de Orellana do século XVI – Coroa Espanhola na Amazônia, ao descer o RIO AMAZONAS e observar as populações ao longo do GRANDE RIO, ou seja, O OLHAR DO OUTRO sobre a população AMAZÔNICA.
CULTURA TRADICIONAL: Diálogos extraídos dos indígenas após 10 anos do massacre, parte dos depoimentos estão inseridos no documento apresentado à COMISSÃO DA VERDADE, para que sejam inseridos como vítimas da ditadura aproximadamente 3.000 mil índios. Desta forma, os diálogos dos indígenas e KIÑA são todos depoimentos reais de índios que viveram ou tiveram familiares vitimados no massacre, durante a construção da BR - 174.

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