sexta-feira, 22 de março de 2013
Teatro Waldemar Henrique recebe AACA - Arte & Fato
O espetáculo O Dia que a Terra Dançou, apresentou-se no Teatro Waldemar Henrique no dia 15 de Março de 2013, as 19:00 horas. A apresentação fez parte do projeto Kasato Maru - A Viagem Retorno pelo Grande Rio Mar, contemplado na última edição do edital de fomento a cultura Myriam Muniz - 2012.
A apresentação tem grande repercussão, tendo ainda, apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.
No elenco: Israel Castro, Dennis Carvalho, Pablo Rodrigues, Adriano Holmes, Dione Maciel, e Laury Gitana, com participação dos Músicos Jeferson Silva e Alan Jones executando as músicas ao vivo.
"A AACA - Arte & Fato, agradece o apoio e a acolhida na cidade de BELÉM - PA, aos técnicos do teatro, e ao diretor do Teatro Waldemar Henrique que gentilmente, apresentou o Teatro aos artistas do Amazonas.
A FUNARTE - Fundação Nacional de Artes pelas ações de fomento a cultura do País, contribuindo para o melhor preparo teórico, prático e logístico das ações culturais.
Projeto Kasato Marú - A Viagem Retorno pelo Grande Rio Mar
O Dia em que a Terra Dançou
Espetáculo escrito por Douglas
Rodrigues, a partir do texto original: O MITO DO ALÉM MAR. Base de suas
experimentações para a infância e a juventude, onde a tragédia, e os mitos
revigoram suas inquietações de encenador. O texto foi pesquisado no bairro da
liberdade SP/ São Paulo dentro do projeto de residência artística, patrocinado
pelo MINC – Ministério da Cultura – 2010. Encenado no mesmo ano, participando
do VIII FTA – Festival de Teatro da Amazônia, recebendo prêmio de melhor
figurino, iluminação e direção para Douglas Rodrigues, o artista com mais de 12
anos no teatro, envereda por inúmeras linguagens: Teatro, Dança, Música e Artes
Plásticas, recebendo ao logo de sua trajetória mais de 30 prêmios, e inúmeros
editais, federais, estadual e municipal.
O Espetáculo:
O oriente estava próximo a
completar o ciclo vital com celebrações a natureza, numa época de grande prosperidade,
num passado indeterminado. Os artistas estavam preparando os festejos da primavera,
ensaiando coreografias, bailados, cantos as divindades, adereçando os noves
dragões, os estandartes, e as flechas em memória dos guerreiros do antigo
Japão. Muitos jovens estão envolvidos, costurando, tecendo os balões, dobrando
os arames, cortando os gravetos, colando papeis de seda multicoloridos nos
galhos secos pintados de branco. Na praça ao centro, crianças brincam de pipas
harmonicamente, noutro canto YONG (significado de corajoso) de pipas e mãos,
representação alegórica do dragão e negro, demonstra inquietação.
É a saga de um aprendiz de ator,
que revigora a prática as artes através da tragédia de seu tempo, o terremoto
no Japão. O mito do MAR é revisitado criando um dialogo profundo entre a poesia
tradicional japonesa e a modernidade.
É um conto sensível, para
crianças e jovens!
“É um espetáculo triste mais não vamos chorar”, garante o
narrador da peça o Dia que a Terra Dançou que começa a Circular na região
norte, a partir do dia 12, em inúmeras cidades, dos Estados do Pará, Amazonas,
e Roraima, premiado do FTA – Festival de Teatro da Amazônia, 2010 a produção e
de competência do Dramaturgo e Diretor Douglas Rodrigues, que foi contemplado
no prêmio Myriam Muniz –Teatro 2012 o espetáculo faz parte do projeto KASATU
MARU, o retorno pelo grande rio Mar, criado com objetivo de trocas e vivências
teatrais na região Amazônica. A ideia surgiu diante residência artística
realizado na cidade de São Paulo em 2010, mesmo ano da encenação e data que se
comemora a migração Japonesa para o Amazonas. Concebido com o apoio estrutural
e filosofo da Associação Nipônica da Amazônia. O Dia em que a terra Dançou é
inspirado no mito de tradição oriental que retrata o processo de formação de um
guerreiro, é a história do jovem YONG (Corajoso) vivido por Israel Castro, que
tem o sonho de transforma-se em SAMURAI para isso é necessário enfrentar
obstáculos, sendo o principal é vencer o medo do MAR E da MORTE, destacando do
povo Japones com o MAR...
Oficina: Lorca Overdose - Experimentos Cênicos
Nos dias 25, 26 e 28 de Março, o Café Teatro sediará a oficina
intitulada: Lorca Overdose - Experimentos Cênicos, com objetivo de dialogar a
obra Lorquiana com artistas, atores e interessados na reflexão prática e
teórica da obra de um dos principais Dramaturgo da História: Federico Garcia
Lorca.
A oficina será ministrada por Douglas Rodrigues, tendo apoio ainda de
Jef Silva e Alan Jones fazendo som para as atividades práticas.
É necessário se inscrever URGENTEMENTE, só serão 30 Vagas, e sem custo.
Totalmente gratuita.
Podem ir diretamente ao Les Artistes Café-Teatro, procurar Serginho
Queiroz para as inscrições. Será necessário no MÍNIMO 01 ano de atividade na
área.
Além disso:
Roupas leves, disponibilidade de 12 h. mínimas, com encerramento
previsto para o dia 28, a partir de 19:00 horas, aberto ao público.
A oficina é uma realização da AACA - Arte & Fato e Manaus Cult,
qualquer dúvida
32153120, falar com a Srª Vera.
Serão necessários conhecimentos mínimos das obras:
A Casa de Bernarda Alba
Yerma, (obra a ser encenada pela AACA - 2013)
Bodas de Sangue.
Aguardo aos que admiram o meu trabalho,
Muita arte, nesse fim de mês que comemora-se o dia do ARTISTA.
domingo, 23 de setembro de 2012
Apresentação na 9 edição do Festival de Teatro da Amazônia.
Silêncio! Não quero choros... Assim inicia a obra!
Lorca recorre ao simbolismo para criar a dramaturgia de A CASA DE BERNARDA ALBA. Bernarda, personagem central do texto, é uma matriarca dominadora que mantém as cinco filhas, Angústia, Madalena, Martírio, Amélia e Adela sob vigilância implacável, transformando a casa onde vivem, em um pequeno povoado na Espanha, em um caldeirão de tensões prestes a explodir a qualquer momento.
Desejo sexual, repressão, anseio por liberdade, autoritarismo, loucura, inveja, prática do poder, amor, paixão, suícidio e morte são temas da casa.
E por se tratar de temas universais; A CASA DE TODOS NÓS.
Silêncio, eu já disse: Silêncio! Anuncia o fim do DRAMA.
A Casa de Bernarda Alba, Encenação Douglas Rodrigues - Manaus - Amazonas, Teatro Amazonas.
Arte & Fato, se prepara para encenar o espetáculo A Casa de Bernarda Alba.
Depois do sucesso do espetáculo ‘Bodas de Sangue’, a companhia Arte& Foco se prepara para encenar mais dois espetáculos do escritor espanhol Frederico García Locar, ‘A Casa de Bernarda Alba’ e ‘Yerma’ (que compõem a trilogia de sangue do escritor).
As três tragédias do dramaturgo Frederico García Lorca, considerado o mais influente escritor espanhol depois de Miguel de Cervantes, fazem parte do projeto da Companhia Arte & Fato, que até 2014 apresentará os três espetáculos, em Manaus.
Após encenar a primeira peça da trilogia em 2009 e ter uma boa aceitação, atualmente a companhia está em fase de preparação para encenar a segunda, com participação de 12 atrizes locais. A proposta é até o final de julho, aconteça a estreia da peça ‘A Casa de Bernarda Alba’ no Teatro Amazonas.
Douglas Rodrigues, diretor do grupo e do espetáculo, lembra que a Arte & Fato com ‘Bodas de Sangue’ conquistou seis prêmios na edição de 2009 do Festival de Teatro da Amazônia e que, após a boa receptividade do público e da crítica, a companhia sentiu-se estimulada a continuar a encenar as obras de Lorca.
“Lorca é um dos autores mais visitados do mundo inteiro, é um clássico espanhol, ele é o maior da literatura espanhola. Toda companhia que deseja passar por um processo de investigação deseja montar Lorca”, conclui.
Atualmente, ‘A Casa de Bernarda Alba’, que já passou pelo processo de entendimento textual, está no módulo de teoria e prática, onde os atores estão absorvendo o conhecimento “Lorquiano”, segundo Douglas Rodrigues.
“Os textos de Lorca contextualizam o período em que a Espanha era essencialmente patriarcal, onde as mulheres são submissas. Temos que ter conhecimento desta época, que retrata a Espanha da década de 30 até a década de 60”, diz, completando que as três obras terminam com desfechos trágicos.
Produção
‘A Casa de Bernarda Alba’ terá a participação das atrizes Monik Pétala, Larissa Rufino, Vanessa Pimentel, Lilian Machado Ednelza Sadho, Dayane Nunes, Raquel Santos, Laury Gitana, Amanda Paiva, além de quatro homens, que estarão na produção do espetáculo.
O figurino, que será assinado por Rivaldo Monteiro, Dione Maciel e Douglas Rodrigues, retratará o “luto” do povo espanhol, daquele período da ditadura militar hispânica e também das mulheres da casa que são proibidas de interagir com o mundo.
Quanto a parte da trilha sonora, o diretor antecipa que, como Lorca é conhecido além da dramaturgia também pelas poesias, serão musicados vários de seus poemas.
Toda parte musical será realizada pela Orquestra de Bolso da Companhia, composta por Jeferson Silva Mikelane Almeida e Regina Santos, que vão musicalizar parte das poesias de Lorca para o palco. “Essas poesias receberão uma carpintaria musical’, esclarece Douglas.
Depois do sucesso do espetáculo ‘Bodas de Sangue’, a companhia Arte& Foco se prepara para encenar mais dois espetáculos do escritor espanhol Frederico García Locar, ‘A Casa de Bernarda Alba’ e ‘Yerma’ (que compõem a trilogia de sangue do escritor).
As três tragédias do dramaturgo Frederico García Lorca, considerado o mais influente escritor espanhol depois de Miguel de Cervantes, fazem parte do projeto da Companhia Arte & Fato, que até 2014 apresentará os três espetáculos, em Manaus.
Após encenar a primeira peça da trilogia em 2009 e ter uma boa aceitação, atualmente a companhia está em fase de preparação para encenar a segunda, com participação de 12 atrizes locais. A proposta é até o final de julho, aconteça a estreia da peça ‘A Casa de Bernarda Alba’ no Teatro Amazonas.
Douglas Rodrigues, diretor do grupo e do espetáculo, lembra que a Arte & Fato com ‘Bodas de Sangue’ conquistou seis prêmios na edição de 2009 do Festival de Teatro da Amazônia e que, após a boa receptividade do público e da crítica, a companhia sentiu-se estimulada a continuar a encenar as obras de Lorca.
“Lorca é um dos autores mais visitados do mundo inteiro, é um clássico espanhol, ele é o maior da literatura espanhola. Toda companhia que deseja passar por um processo de investigação deseja montar Lorca”, conclui.
Atualmente, ‘A Casa de Bernarda Alba’, que já passou pelo processo de entendimento textual, está no módulo de teoria e prática, onde os atores estão absorvendo o conhecimento “Lorquiano”, segundo Douglas Rodrigues.
“Os textos de Lorca contextualizam o período em que a Espanha era essencialmente patriarcal, onde as mulheres são submissas. Temos que ter conhecimento desta época, que retrata a Espanha da década de 30 até a década de 60”, diz, completando que as três obras terminam com desfechos trágicos.
Produção
‘A Casa de Bernarda Alba’ terá a participação das atrizes Monik Pétala, Larissa Rufino, Vanessa Pimentel, Lilian Machado Ednelza Sadho, Dayane Nunes, Raquel Santos, Laury Gitana, Amanda Paiva, além de quatro homens, que estarão na produção do espetáculo.
O figurino, que será assinado por Rivaldo Monteiro, Dione Maciel e Douglas Rodrigues, retratará o “luto” do povo espanhol, daquele período da ditadura militar hispânica e também das mulheres da casa que são proibidas de interagir com o mundo.
Quanto a parte da trilha sonora, o diretor antecipa que, como Lorca é conhecido além da dramaturgia também pelas poesias, serão musicados vários de seus poemas.
Toda parte musical será realizada pela Orquestra de Bolso da Companhia, composta por Jeferson Silva Mikelane Almeida e Regina Santos, que vão musicalizar parte das poesias de Lorca para o palco. “Essas poesias receberão uma carpintaria musical’, esclarece Douglas.
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A pesquisa de Figurinos de A CASA DE BERNARDA ALBA.
Os figurinos da obra estão divididos em dois momentos: I – O LUTO com mantos e roupas negras. No II, as mulheres , assim como a cenografia, transfiguram-se para a cor ALVA – BRANCO norteado pelas rubricas do autor. A pesquisa realizada por Douglas Rodrigues é exclusivamente A TEMPORAL. Evitando a reprodução por VEROSSIMILHANÇA, pelo contrário, na função de pesquisador, utilizou-se da investigação de Juliana Schmitt, sobre os lutos VITORIANOS, com a obra: MORTES VITORIANAS – CORPO, LUTO E VESTUÁRIO, em contato com o livro no atelier do J C. SERRONI – São Paulo. A partir daí deu-se a criação das vestimentas da casa. Do Sexo para a CONSCIÊNCIA camisas de inspirações vitorianas, representando a IGREJA MEDIEVAL, O PODER E A HISTORICIDADE dos lutos nas mulheres que perdiam seus HOMENS. Do sexo para os pés, os figurinos são ESPÂNICO, na representatividade do FINCAR OS PÉS, AMOR À ESPANHA, OBRA QUE NARRA o PAÍS.
As camisolas do III ato fazem um recorte histórico. Definindo-as como ROMÂNTICOS, sem esquecer as RENDAS, tão cigana e ESPANHA, para isso, UM CHOQUE DE RENDAS NO ESPETÁCULO.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Análise Crítica - Espetáculo Ventos da Morte.
Prêmio PAIC - Manauscult - Prefeitura de Manaus
PROARTE - 2010 - Governo do Amazonas - SEC - Secretaria de Cultura do Amazonas.
Prêmio de Melhor Pesquisa Musical, na 8ª Edição do Festival de Teatro da Amazônia,
| Atriz Amanda Paiva - Indicada ao prêmio Atriz Coadjuvante. |
BLOW’IN IN THE WIND – Ei Sérgio Lima, alguém aí sabe resolver a fórmula de Báscara?
(considerações sobre Ventos da Morte, montagem da Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte & Fato)
*Jorge Bandeira
A encenação de Douglas Rodrigues para a Arte & Fato, a partir da obra SIMUM, de August Strindberg, continua sua busca estética de precisão, com artefatos cênicos que se encaixam e que dão dinamismo às cenas, agora com um texto que na sua adaptação da obra do autor de INFERNO e DANÇA DA MORTE recebe o sugestivo nome de VENTOS DA MORTE.
| Ator Sérgio Lima |
Um vento que traz uma cantilena islâmica que nos sugere um choque de religiões e cultura, permeado por um lado carregado se sensualidades reprimidas, onde o sofrimento dar-se-ia pela opressão de certos preceitos estabelecidos pelos códigos sagrados. É um tema de dilemas e percursos bem tênues, e que a comunidade muçulmana sempre tratará de forma esquia. Neste sentido a proposta de cena da Arte & Fato é de uma espantosa e bem-vinda coragem. Primeiro, aborda um condicionante religioso que até hoje necessita de uma complexa cadeia de encaixes históricos para se antever o processo em curso entre o mundo islâmico e as nações ocidentais, seja os EUA ou Inglaterra, e mesmo as durezas encontradas nas questões relativas à Faixa de Gaza, Israel, enfim, um mundo em ebulição permanente. Como este breve artigo se propõe a refletir a cena teatral, e não o Teatro de Operações da Guerra, coloco então as questões neste nível do estético e não do religioso, que pode ficar para os teólogos e outros que desejam adentrar nesta seara delicadíssima.
VENTOS DA MORTE tem um cenário de potes, ânforas e de cerâmicas variadas, é na contenção destes elementos da cena que a história monta-se e transita, com o elenco movimentando-se com uma precisão tangível ao espetáculo, onde as cenas são amarradas por um diretor que mapeia tudo no palco, deixando pouco espaço para um exibicionismo exagerado, e que se ocorre em alguns momentos, não chega a causar um ruído de comunicação entre atuação e plateia.
A iluminação é uma marca registrada de Rodrigues, seus efeitos nunca são redundantes neste trabalho cênico, o Sol inclemente e seu carmesim desbotado simbolizam uma força de vigor de um texto que mesmo adaptado não descaracteriza a obra de Strindberg (lembro que nos antigos CADERNOS DE TEATRO do tablado foi onde li e recordo do texto, que hoje já não tenho mais... uma pena!).
August Strindberg é atualizado por Rodrigues a partir desta contemporaneidade bélica, do conflito que Strindberg já detectava naquele alvorecer do século XX. Há uma clemência por ter este portentoso texto reverberando a poética da cena e do inegável lirismo a partir do poder do texto original de Strindberg. Os atuantes estão muito bem, e salvo um deslize ou outro, irrelevantes pelo lado “limpo” da maior parte das cenas, a mão do encenador pesa sobre todos. A cena de nudez total da atriz Larissa Rufino é de encher os olhos, carregada de um horror nu e cru, sanguíneo, e belo, muito belo. A sábia marcação desta cena, priorizando a tridimensionalidade do palco, obtida com os efeitos de uma iluminação exemplar, e as cenas tripartidas ante nossos olhos são um quadro perfeito, uma moldura exemplar de como se constrói com perícia uma cena de impacto.
Nosso palco está cheio de grandes atrizes, de atores e atrizes que derramam tudo em cena, e que não sei como, em meio a tantos problemas, se superam a cada espetáculo... O resto podemos dizer que são detalhes, coisinhas pueris que ficam depois da coxia, e que a bem da verdade, o público está alheio a tudo isso... Ainda bem... Graças aos deuses do Teatro.
Posso dizer que sou um privilegiado ao ter a oportunidade de escrever sobre a atual cena do Teatro adulto feito em Manaus, pois estou exercitando a cada espetáculo, a cada visada de uma cena, de momentos estéticos díspares, que me desafiam a cada enlace num palco, seja aonde for, e isso considero um privilegio. Obrigado aos grupos que me permitem esta escrita registrada para a memória da cena local. Já avisei que tenho este ofício de crítico de arte como minha árdua e grata missão em Manaus, sem ganhar nada com isso, aliás, até perdendo algumas vezes...
Voltemos a VENTOS DA MORTE... Então é isso, Rodrigues tem um caminho trilhado por este rigor estético, dos detalhes da cena e da interpretação de seus atuantes, e nesta jornada atual destaco SÉRGIO LIMA como minha bússola de navegação, meu porto seguro, meu mais querido e necessário apoio para entender um pouco mais este Teatro que se propõe ao resgate de um dramaturgo da envergadura de August Strindberg, de quem Henrik Ibsen seria o contraposto na cena daquele período teatral, de quem Ibsen tinha uma fotografia dependurada no seu escritório, para que tivesse o efeito psicológico de desafiar ao “monstro”, um algoz que estaria sempre à sua busca, e que Ibsen primava em criar suas obras visando a superação do “monstro e louco Strindberg”.
Sérgio Lima encontra-se aqui com uma de suas mais brilhantes atuações dos últimos anos, seu militar norte-americano faz o contraponto desta situação conflituosa entre o Ocidente e o Oriente, ele é o representante da Guerra ao Terror, e Sérgio Lima leva sua tarefa de manusear as minúcias de seu personagem até o fim. Ventos da Morte deve muito a Sérgio Lima, em meio aos tumultos dos horrores da guerra, da repressão ao prazer das mulheres, da metafísica da vingança do Islã, eis que este ator despeja sutilmente suas emoções, em dosagens únicas de degustar cena por cena, sem pressa, sem titubear, com uma brutal segurança em conduzir sua personagem em meio ao Sol inclemente de Ventos da Morte.
Sérgio Lima é um ator de alta sensibilidade, de uma verdade da cena que aqui mostra o quanto ama o que faz, e que, posso falar disso com precisão, abusa de gentilezas com seus parceiros e parceiras de cena. Um ator como Sérgio Lima é essencial em qualquer elenco, e ele em Ventos da Morte merece todos os louvores, que aliás, considero a sua atuação no Teatro da Instalação tão brilhante como a que assisti hoje, 14 de outubro de 2011, no Teatro Amazonas, dentro da programação do 8º Festival de Teatro da Amazônia.
Sérgio Lima faz este militar que vai aos poucos se perdendo dentro de um conflito exterior que vai lhe carcomer o interior, sua alma será levada pela força deste golpe mortal dos choques de cultura e religiões, e sua personagem, com sede desta superação, estanca até o desfalecimento. O simbolismo da morte da personagem grandiosa feita por Sérgio Lima é um dos momentos mais impactantes do trabalho, casando perfeição com a trilha sonora ao vivo da Arte & Fato, e que nos faz crer neste Teatro feito com o intuito de inebriar, independente de sua linha estética, mas que é, seguramente, de um lúdico cênico completo.
| Atriz Larissa Rufino - Cena da DERRAMA nas ruas de Bagdá - As Meninas de Pouca Idade... |
As palavras ecoam em nossa mente é a reflexão que fica é a de porque nada se resolve por aquelas bandas tão distantes? Por que o ódio pelo diferente, por uma ideia que não seja a nossa? Por que temos esta vontade de “desertificar” tudo que nos rodeia? Seja com palavras ou com a falta delas? Ventos da Morte responde algumas inquietações, e suas particularidades dramáticas, nas suas cenas épicas e barrocas, com seus focos e fumaças cênicas, turvam propositalmente nossos olhares e permitem que façamos este questionar a nós mesmos.
O que estamos fazendo com tudo isso? Qual a saída para tudo isso? Quem é o culpado de tudo isso? Nesta jornada de Ventos da Morte lembro-me da emblemática frase de uma das mulheres do Islã que diz que se preciso fosse, se pudesse resolver algo realmente emergencial, até a arte da Ventriloquia estaria a seu alcance. Iludir pela palavra de algo inanimado que ganharia vida nestes teatros de casualidades e persistências. Está longe o dia desta nova forma de vislumbrar este olhar menos amargurado, e Ventos da Morte, no que é capaz de fazer no momento, não dá respostas, mas aponta direções. Encontre uma, ou nenhuma.
Em tempo: dedico este modesto escrito ao ator Sérgio Lima, de quem fui parceiro de cena num memorável Strindberg, tempos atrás.
*Jorge Bandeira – Costuma assistir Teatro adulto para registrar suas impressões do que viu, ouviu, sentiu e pressentiu. Não é vidente nem espírita.
Manaus, 14 de outubro de 2011
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