No dia 20 as portas
centenárias do Teatro Amazonas, recebeu o espetáculo cênico, com direção e
roteiro de Douglas Rodrigues. Diretor com 15 anos de trabalho ininterrupto na
cena teatral com inúmeros prêmios na direção para TEATRO ou na PESQUISA
CÊNICA., recebendo tantos outros como Cenógrafo, Figurinista, Iluminador,
Maquiador e etc. Na estreia de MAYSA, atinge outro seguimento: A MÚSICA, não
sendo novidade para ele, ARTE&FATO ao qual dirige é o único grupo da cidade
a possuir um núcleo de músicos, logo, por cinco vezes recebeu prêmios de MÚSICA
PARA TEATRO, sendo um dos principais em 2009, com direção de Mikelane de
Almeida, atualmente em SP, musicalizando poemas de Federico Garcia Lorca, para
o espetáculo BODAS DE SANGUE, escrevendo outras, para a obra Essa Tal de
Natureza.
Simplesmente MAYSA é
um trabalho profissional, sensível, teatral, rico em detalhes. Existe direção,
roteiro pré-definido, sabem o que quer dizer, e sabem estimular a catarse. Ninguém
sai sem derramar uma lágrima ou viajar nas ondas de MARICÁ, moradia última da
artista. O espetáculo inicia-se com arranjos de HUGO PINHEIRO, nato criador que
dispensa comentários, dado a canção CANTO LIVRE, os tímpanos chegam de forma
trágica e operística. Em 05 segundos o
público se vê convidados a conhecer MAYSA, em vídeos projetados dela ainda
criança. Logo seguido pela canção MANHÃ DE CARNAVAL em homenagem a grande
Elizeth Cardoso. Serginho Queiroz chega à
cena como um rei, um príncipe molambo, fazendo Silvio Caldas, interpretando a
canção CHÃO DE ESTRELAS e como diz a canção, no chão viram-se estrelas e com
elas DESCE UM TELHADO com panelas rústicas que o percussionista Andrio Dias faz
emergir sons, o som da FAVELA. A Cena é brilhante que somente grandes diretores
conseguem personificar em cena. Daria livros detalhar o espetáculo na íntegra,
foram 28 músicas e a cada ia abrindo cenários, luzes, focos,
contras e
projeções. O exemplo de Buquê de Isabel, onde a MARCHA TRIUNFAL é tocada e no
fundo abrem-se as escadarias da IGREJA METROPOLITANA DE SP, onde a artista se
casaria com o bilionário André Matarazzo. Inúmeras canções são apresentadas,
onde o público acompanha com aplausos e aplausos. O teatro se cala para ouvir
MEU MUNDO CAIU, onde em seguida um efeito sonoro de AVIÃO atravessa a cena, num
efeito cinematográfico, seguido de outras projeções de MAYSA em tempo real
chegando a PARIS e sobrevoando o OLIMPIA, outras imagens vão se sucedendo,
recortes de jornais da década e cartazes da DIVA na passagem pela EUROPA tomada
num escândalo de cena onde PIAF é o fio condutor. O prólogo da cena é feito com
PADAM PADAM, rasgados pelos pratos operísticos que se repetem ao repetir: PADAM
PADAM. Ora PADAM PADAM é Piaf, sim, MAYSA foi considerada a Piaf Sul Americana
pelos críticos franceses. Os MOVIES LIGHT movimentam a cena com entradas
triunfais de Lívia Mendes fazendo LA VIOLETERA em andamentos Hispânicos; Miriam
Abad faz sua primeira aparição personificando Amália Rodrigues, num fado que
levaria o maior dos incrédulos a viajar por Portugal. A cena torna-se mais
requintada quando Sinézio Rolim divide com Jonhy Meyer a música MY FUNNY
VALENTINE, o clássico do cinema, na estrutura tantas vezes repetidas: Um
cantor, Um foco e um Pianista. A cena torna-se vibrante, lembram musicais do
inicio do século, logo o cenário todo em preto e branco, com a reprodução fiel
das calçadas de Copacabana, quebrado somente com o vermelho das gravatas estilo
“borboleta” nos músicos altamente bem vestidos por Dione Maciel. Quando achamos
que tudo foi feito para conquistar o público, novas surpresas aparecem. O
clássico HINO AO AMOR é cantado, e ao fundo se abre um CÉU AZUL com ao
interprete Sinézio ROLIM com rosa vermelha em MÃOS dramaticamente. Em seguida
Miriam Abad entra fazendo 02 clássicos:
Ne Me Quitte Pas e Um Jour Tu Verras, num vestido longo negro, seguido de um
fundo de mesma cor. O teatro se cala e se ouve emoções dilatadas no público e
na interprete, sim todos EMOCIONADOS! É um espetáculo ver esse diretor e sua
equipe, que ao termino ao agradecer, expõe:
“A maioria dos músicos trabalham comigo há anos”. Logo percebemos que é difícil
acontecer equívocos, todos estão dialogando perfeitamente.
No alto abre-se um Bar
com Serginho Queiroz e Lívia Mendes, a Bossa Nova é homenageada. A cena abre
com texto poema de MANUEL BANDEIRA, que diz em resumo:
“MAYSA não é um corpo.
Maysa são dois olhos e uma boca. Maysa voltou, emagreceu. Nem melhor, nem pior.
Maysa é o Amor”
A partir daí, não
existem preconceitos, todos estão tomados pelo espetáculo, finalizado com a
canção MORRER DE AMOR, arranjado pelo HUGO PINHEIRO e divinamente bem cantado.
Ao fundo, abre-se inúmeras frases de
artistas do Brasil e de fora dele, falando sobre MAYSA,
Tudo tão sensível que
esquecemos que estávamos no teatro e teríamos que voltar para nossas
residências. De uma coisa é certa: “A arte quando acontece transforma pessoas”.
E ninguém volta para
suas residências do mesmo modo que entrou.
Simplesmente MAYSA é
espetacular.




